sábado, 21 de agosto de 2010

AS LEIS DO XAMANISMO PARA O SER HUMANO

 Olá, caros curumins!

quanto tempo, né?
Pois é, voltei a postar. Mas agora, gostaria que vocês refletissem sobre essas leis, que se seguidas, tornariam o mundo bem melhor!

1. Você receberá um corpo. Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante essa rodada.
2. Você está matriculado numa escola informal, de período integral, chamada vida. A cada dia, nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar das lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas
3. Não existem erros, apenas lições. O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação. As experiências que não dão certo fazem parte do processo, assim como as bem sucedidas.
4. Cada lição será repetida até que seja aprendida. Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha compreendido. Quando isso ocorrer, você poderá passar para a seguinte. O aprendizado nunca termina.
5. Não existe nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições para aprender.
6. "Lá" não é melhor do que "aqui". Quando o seu "lá" se tornar em "aqui", você simplesmente entenderá que o melhor é viver o "aqui e o agora".
7. Os outros são apenas seus espelhos. Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.
8. O que fizer de sua vida é responsabilidade sua. Você tem todos os recursos de que necessita. O que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.
9. As respostas estão dentro de você. Tudo o que tem a fazer é meditar, analisar, ouvir e acreditar.
10. Você se esquecerá de tudo isto!
Twyla Nitsch - Anciã da tribo Seneca, fundadora e líder do Clã dos Lobos - uma organização internacional que promove os ensinamentos de seus antepassados.
Twyla Nitsch desde de 2007 percorre a Estrada Azul do Espírito, mas o seu legado permanece vivo em nossos corações.
extraído do site do Clã Lobos do Cerrado

É isso! Ahow!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

TENDA DO SUOR - ONDE O XAMÃ SE CONECTA

Olá, queridos curumins!

Hoje, pretendo apresentar a vocês um antigo ritual que os povos indígenas ainda usam, e que é lindo demais para não ser vivido pelo menos uma vez por alguém. Eu, em humilde oração, desejo realmente que um dia vocês tenham essa oportunidade.Foi uma experiência que mudou minha vida para sempre, e gostaria de dividir isso com todos vocês. Eu extraí este texto do site  "somos todos um", porque ele define melhor o ritual do que eu talvez conseguiria colocar em palavras. Ele foi escrito pela terapeuta holística Marilene Pitta. Acredito que vão gostar.


"Há milhares de anos um povo pensou na idéia da “purificação”. Purificar os pensamentos, as idéias, as emoções, purificar os vínculos emocionais. Sentir através do calor que vem das pedras em chamas um chamado para seguir o caminho sagrado do bem viver! A “CERIMÔNIA XAMÂNICA E O MUNDO ATUAL” fala da “TENDA DO SUOR”.A construção é simples na aparência,mas tem uma sabedoria ancestral que vale a pena pensar sobre esta questão do ponto de vista espiritual-energético-antropológico.Os bambus são ofertados pela Mãe Terra e recolhidos. Limpos,eles ficam esguios e belos como uma coluna ereta numa postura de meditação profunda. As direções estudadas de acordo com o nascer do Sol – o grande Avô. Aquele que cuida de nós todos os dias!
A direção do LESTE é um poderoso PORTAL que tem como GUARDIÃ a ÁGUIA! Aquela que tudo percebe e tem uma visão ampliada das situações. Desvela o infinito! Sobrevoa as altas montanhas e deslinda com maestria os recantos e os esconderijos! Funda-se o leste com essências, aromas e ervas. Quantas vezes temos que contemplar uma situação de outro lugar... Mais alto ou mais baixo. Com mais lucidez, com mais inocência, sem se perder nas suposições e análises! E se fosse ...O julgamento ferino e cortante das nossas falas. As vezes, o SILÊNCIO INTERNO é como o vôo alto da Águia que sobrevoa as situações. Contemplando! Sem se contaminar com as falas nervosas e agitadas de tanta gente que nos cerca e rodeia! Salutar esse modo de pensar!
A direção do SUL é outro imenso PORTAL – boa estrada vermelha –onde todos os dias nós caminhamos, pagamos contas, lutamos e trabalhamos e vivemos! O seu GUARDIÃO é o LOBO. O ensinamento desse portal é levar a vida com humor. As vezes, somos sérios demais, sisudos, amarrados e vivemos como num campo de guerra. Sempre na defesa pois o ataque vem logo,logo! Irônico é que vem mesmo, apesar de todos os cuidados e defesas! O LOBO nos ensina a lição da leveza e da alegria com o tempero do bom humor! (Lembro-me do poeta portenho –Jorge Luis Borges – quando na sua poesia anunciava que viajaria mais leve e comeria menos ervilha! Lógico que o texto é de uma beleza filosófica que nos ensina a viver melhor!). Para isso, o LOBO rí da vida, dos acontecimentos! Na verdade, é aprender a soltar a energia, o fluxo do aprisionamento da raiva, da dor, da tristeza... Lição dura e árdua, mas vale a pena experimentar e ver como funciona do outro lado de lá... Virar de ponta cabeça em cambalhotas... Tudo passa... Tudo finda...A dor mais triste é a ilusão mais linda!
O PORTAL DO OESTE é guardado pelo amado URSO! Um belo animal, solitário, introspectivo que sabe se nutrir com as suas reservas energéticas. A conexão com o URSO é com a limpeza emocional, com liberação dos cordões que aprisionam e sufocam. A energia do URSO é cortante, ela estrangula e corta mesmo que doa! Viver esse PORTAL é decisivo na vida de todos nós. Se pudéssemos perceber o quanto andamos amarrados e muitas vezes sem saber...Somente sentimos que há algo que não é nosso! Porém está presente como uma forma pensamento fantasmagórica.
Mais aromas e ervas específicas na Terra para se erguer a tenda sagrada!
Tudo é elaborado com Cânticos e Orações ao som do Tambor!
O PORTAL DO NORTE – morada sagrada do Búfalo Branco! O espaço da Espiritualidade sem dogmas e regras! O procedimento da Ética é que conduz esse portal de AMOR INCONDICIONAL E COMPAIXÃO!
O portal do Norte nos ensina a tolerância, a bondade, o aprender a conviver com as diferenças! Lugar da cultura de Paz! Lugar das bênçãos, de receber e oferecer! O sentir pleno do Criador nos nossos corações apaziguados, ternos, mansos!
As CERIMÔNIAS XAMÂNICAS têm esse link com a vida! Os bambus são fincados na terra. Arma-se um “útero” e cobre-se com lonas e cobertores... Cada um de nós necessita entrar em contato com o nosso nascer. Muitas vezes um relacionamento mal sucedido vem dessa história de um nascer comprometido. Lá, no escuro e no vazio experimenta-se o contato consigo mesmo! Não há uma fala terapêutica confortadora ou interpretativa... Há cada um confiando na ESPIRITUALIDADE LUZ! O FOGO SAGRADO alastra-se nas pedras ardentes que como um vulcão emite lições para cada pessoa. O suor é a resposta para a entrega das dores pessoais e do inconsciente coletivo! Ouve-se choro! Ouvem-se gritos! Ouve-se o silêncio que é quebrado pelo toque do Tambor ou pelas Orações e súplicas por cada um de nós e de todos!
O lugar mais amoroso para se ficar é junto á terra, respirar no chão. Lá nesse acolhedor abraço a Mãe Terra nos aconchega e nos entrega o seu alento confortável!
É um Silêncio que se vive na “TENDA SAGRADA”.
Muito diferente das businas dos carros! Das correrias nos bancos e lojas...Compras e compras...Lógico que tudo isso é necessário, precisa-se pensar é na forma de agir, é na atitude diante dos fatos e acontecimentos.
Penso que chegou um tempo de se fazer o resgate dessas cerimônias, não no sentido de se apoderar de uma cultura, mas de respeitá-la e honrá-la. Os verdadeiros Xamãs poderão nos ajudar! E novamente, aquele que foi oprimido, pode, se desejar, nos ajudar a caminhar. Pena que tudo passou tão rápido e de uma forma tão cruel! “Enterrem o meu coração na curva daquele rio” é o nome de um livro que narra a dramática história dos nativos americanos, acredito que agora cabe a nós mergulharmos nas mesmas águas límpidas ou lamacentas e procurarmos o coração ferido junto com o nosso também ferido, e curarmos o coração da humanidade enlouquecida em busca de um poder desnorteado!
Vejo que cada pedacinho de cada coração ferido pode ficar junto numa mandala de Luz! É tempo de ajuda! É tempo de CURA! É tempo de PERDÃO! É tempo de LIBERDADE! É tempo de AMAR! É tempo de RESPEITAR! É tempo de ÉTICA!
Que reine soberano o GRANDE ESPÍRITO! Que impere sobre todos nós o reinado de GAIA-PACHAMAMA!"


Ahow!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RETRATO EM PRETO E PRETO

Olá, povão!!

Vamos filosofar um pouco sobre ser preto! Sim, preto, porque moreno é o caralho,  e afrodescendente é a puta que o pariu! Vocês não acham interessante como esses termos mais "suaves" soam tão preconceituosos quanto outros usados por aí? Sei lá, pode ser só impressão minha.

Certa feita Bob Marley enfatizou: 'Um povo sem memória é como uma árvore sem raízes'. A Perda da Memória, talvez este seja o maior crime cometido pelo racismo contra nosso povo. O não saber sobre quem somos de onde realmente viemos e o que deixamos de obter por herança, faz de nós um povo totalmente apascentado pelas ideologias de um sistema segregacionista, que tem muito medo de nossa evolução.
Respeitar as diferenças é um dos princípios básicos da democracia. Cada povo, cada raça, cada cultura tem identidade própria, peculiaridades que resistem à globalização da economia e da comunicação. A construção de uma sociedade mais justa e feliz ocorre no cotidiano das pessoas com a prática de atitudes positivas em todas as relações humanas, sejam elas familiares profissionais ou comunitárias.
 Bom, chega de enrolação. Quem nunca ouviu falar em Nelson Mandela, Martin Luther King, Samuel L. Jackson, Pixinguinha, entre outras personalidades negras, praticamente não viveu neste planeta. Atualmente, o negro mais conhecido é Barack  Obama, e assim como ele, outros negros fizeram e fazem parte dos fatos históricos mais importantes da humanidade. Todo mundo cansou de ouvir falar em Zumbi, durante o ensino fundamental. É graças aos negros que temos hoje nas grandes culturas a capoeira, as tranças nagô, o rastafari, o jazz, o rock, o blues, o camdomblé, o grafitti, o funk (o de verdade, não o carioca), o soul, o hip-hop, entre outras manifestações culturais.

Na culinária, os negros trouxeram gosto por novos temperos e habilidade de improvisar receitas, misturando ingredientes europeus e indígenas. A escravidão deixou marcas indeléveis, em sua grande maioria negativas, na trajetória socioeconômica do Brasil. No que diz respeito ao legado cultural, porém, uma das heranças mais importantes da inserção dos negros na sociedade está na gastronomia. A influência africana na dieta do brasileiro possui dois aspectos. O primeiro diz respeito ao modo de preparar e temperar os alimentos. O segundo, à introdução de ingredientes na culinária brasileira.
A condição de escravo foi determinante para explicar como a técnica culinária dos africanos desenvolveu-se no Brasil. Tendo sido aprisionados na África e viajado em péssimas condições, os negros não traziam consigo nenhuma bagagem, muito menos ingredientes culinários. Isso reforçou a necessidade da improvisação para alimentarem-se no novo território, que, por sua vez, tinha uma estrutura ainda pouco eficaz. A própria elite tinha de importar vários gêneros.
Nos engenhos de açúcar, para onde foram levadas, as cozinhas eram entregues às negras, pois, no começo, os colonizadores vieram sem suas mulheres. Responsáveis pela alimentação dos senhores brancos e com a necessidade de suprir sua própria demanda, os negros passaram a adaptar seus hábitos culinários aos ingredientes da colônia. Na falta do inhame, usaram a mandioca; carentes das pimentas africanas usaram e abusaram do azeite-de-dendê, que já conheciam da África (as primeiras árvores vieram no começo do século 16). Adeptos da caça incorporaram à sua dieta os animais a que tinham acesso: tatus, lagartos, cutias, capivaras, preás e caranguejos, preparados nas senzalas.
A cozinha africana privilegia os assados em detrimento das frituras. O caldo é um item importante, proveniente do alimento assado ou simplesmente preparado com água e sal. É utilizado na mistura com a farinha obtida de diversos elementos. No Brasil, essa prática popularizou o pirão já conhecido pelos índios, mistura do caldo com farinha de mandioca e o angu (caldo com farinha de milho).
O modo africano de cozinhar e temperar incorporou elementos culinários e pratos típicos portugueses e indígenas, transformando as receitas originais e dando forma à cozinha brasileira. Da dieta portuguesa vieram, por exemplo, as galinhas e os ovos. Em princípio, eram dados apenas a negros doentes, pois se acreditava que fossem alimentos revigorantes. Aos poucos, a galinha passou a ser incluída nas receitas afro-brasileiras que nasciam, como o vatapá e o xinxim, e que resistem até hoje, principalmente nos cardápios regionais.
Da dieta indígena, a culinária afro-brasileira incorporou, além da essencial mandioca, frutas e ervas. O prato afro-indígena brasileiro mais famoso é o caruru. Originalmente feito apenas de ervas socadas ao pilão, com o tempo ganhou outros ingredientes, como peixe e legumes cozidos. O acarajé, hit da cozinha afro-brasileira, mistura feijão-fradinho, azeite-de-dendê, sal, cebola, camarões e pimenta. A popular pamonha de milho, por sua vez, origina-se de um prato africano, o acaçá.
A vinda dos africanos não significou somente a inclusão de formas de preparo e ingredientes na dieta colonial. Representou também a transformação da sua própria culinária. Muitos pratos afro-brasileiros habitam até hoje o continente africano, assim como vários pratos africanos reinventados com o uso de ingredientes do Brasil, como a mandioca, também fizeram o caminho de volta.
No que se refere aos ingredientes africanos que vieram para o Brasil durante a colonização, trazidos pelos traficantes de escravos e comerciantes, esses constituem hoje importantes elementos da cultura brasileira. Seu consumo é popular e sua imagem constitui parcela importante dos ícones do imaginário do país. Vieram da África, entre outros, o coco, a banana, o café, a pimenta malagueta e o azeite-de-dendê. Sobre este, dizia Camara Cascudo: “O azeite-de-dendê acompanhou o negro como o arroz ao asiático e o doce ao árabe”. No Nordeste, são também populares o inhame, o quiabo, o gengibre, o amendoim, a melancia e o jiló. 

Bom, vamos à receita de hoje:
MOQUECA ESORREGA MALANDRO

A verdade é que eu misturei os ingredientes da sopa escorrega malandro com um tucunaré, e deu isso....

pegue o  tucunaré, e tempere com azeite de dendê, limão, salsinha, cebolinha, coentro em folhas e molho de pimenta dedo-de-moça (se aguentar, pode ser malagueta). Corte em pedaços e separe. Em uma panela grande coloque agua, alguns quiabos picados, inhame picado, leite de coco, coco ralado sem açúcar (obviamente, não serve o de pacote, porque vem adoçado), azeite de oliva, cebola, alho, tudo a gosto. quando o molho estiver fervendo, coloque o peixe temperado, e salgue até estar do seu agrado. É importante sentir o gosto do leite de coco, do dendê e da pimenta, então deve-se continuar temperando até dar sabor.

O prato dá um peixe quase derretendo, com um caldo denso que pode ser feito moqueca, apenas adicioando farinha de mandioca em uma travessa separada.
bom apetite!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cabelos Trançados

Há muitas primaveras, no tempo em que ainda havia muitos Búfalos e os únicos inimigos dos Sioux eram os Crow, uma pequena criança mamava no peito de sua mãe. Ele era muito pequeno, mas observava o acampamento e ouvia os tambores de seus ancestrais falando ao povo. Ele entendia tudo o que os tambores diziam, e ouvia as histórias que eles lhes contavam. Como era muito pequeno, as histórias lhe tranquilizavam sempre que sua mãe estava ocupada tingindo tipis ou preparando penicam (pasta de carne com frutas secas).
Dez primaveras se passaram e ele tornou-se um rapaz cheio de responsabilidades. Naquela época seu nome era Ouve os Tambores, porque a xamã que havia assistido seu nascimento notou a fascinação que ele tinha pela batida dos tambores. Seu pai havia sido pisoteado por um búfalo ao salvar a vida de um jovem descuidado que fazia sua primeira caçada. Assim, ele tornou-se parcialmente responsável pela caça de pequenos animais para sua família. Um dia, ao voltar para casa com um esquilo e um coelho, levou-os para sua mãe e foi saudados pelo Contador de Histórias Cara Amarela. Cara Amarela era um Cabelo Trançado que havia servido ao seu povo desde o tempo em que o avô de Ouve os Tambores era pequeno.
Cara Amarela perguntou a ele, o que havia aprendido na caçada, se havia escutado as criaturas e conversado com elas. Ouve os Tambores se surpreendeu com a pergunta, pois não havia contado a ninguém que seguia as batidas do seu coração, como se fossem música dos tambores, até o local em que os animais lhe indicavam, dizendo que estavam dispostos a se sacrificar para servirem de alimento a sua família.
Até a hora em que o Avô Sol se punha ao oeste, ficou sentado com Mão Amarela contando as histórias maravilhosas que havia aprendido com suas amigas, as criaturas. Contou-lhe como levantava a mão e ordenava a seu coração que tamborilasse How Kola! (Salve Amigo!) para seus irmãos e irmãs da pradaria. O How Kola que seu coração tamborilava atraía as criaturas até o local onde ele se encontrava, e eles ficavam felizes em partilhar com Ouve os Tambores sua Histórias de Sabedoria. Assim aconteceu que ele terminou sendo escolhido para receber o treinamento do Contador de Histórias Cara Amarela, e acabou tornando-se um Cabelo Trançado. Seu nome foi mudado para Mão Erguida porque ele costumava saudar todas as criaturas com a mão aberta, levantada em sinal de amizade.
Durante cinco primaveras Mão Erguida aprendeu com Cara Amarela, a ser um Cabelo Trançado. Cara Amarela ensinou-lhe que eles são os Guardiães de sua história e das Sagradas Tradições. Cabe a eles viajar entre os grupos de diversas nações, levando notícias dos acontecimentos que afetavam a todos. Os Cabelos Trançados costumavam contar os fatos que ocorriam em outros acampamentos, ao redor da fogueira comunitária, depois do jantar. Eles falavam de atos heróicos, de um Sonho de Cura que profetizasse futuros acontecimentos, de História de Sabedoria que conservavam viva a Tradição, além de trazer as últimas notícias acerca de nascimentos e de mortes nas tribos.
Na terceira primavera que Cara Amarela passava os ensinamentos a Mão Erquida, eles foram realizar uma Busca de Visão para o jovem Cabelo Trançado. No terceiro dia de busca, surgiu um Ancião que transmitiu a seguinte mensagem ao jovem: - Os Cabelos Trançados de todas as tribos e nações constroem uma ponte entre os ensinamentos tradicionais e o momento presente. As crianças de todas as gerações aprendem as lições tradicionais que os Cabelos Trançados ensinam e aplicam estas história às suas próprias vidas. O modo de pensar do nosso povo é diferente dos de outros povos. Nós não costumamos revelar qual é a verdadeira mensagem contida em nossas Histórias de Sabedoria. Preferimos deixar que as pessoas utilizem os seus dons individuais de intuição e observação para perceber o significado real dessas histórias.
Acabada a jornada de Busca da Visão, Mão Erguida contou para Cara Amarela sobre a mensagem que lhe foi dada pelo Ancião. Após a narrativa, Cara Amarela deu uma baforada em seu cachimbo e falou: - Nossos ensinamentos são transmitidos de forma que cada um possa aprender conforme seu próprio ritmo e seu próprio modo de ser, dando liberdade a que cada pessoa aplique ou não estes ensinamentos à sua vida. Cada história possui diversos significados e relaciona-se de formas diferentes à vida de cada pessoa. Os mesmos acontecimentos dentro de uma história também podem ser repetidos inúmeras vezes, de maneira diferente, para que cada ouvinte possa perceber de que modo aquela história se adapta melhor ao seu próprio momento de vida.
Em sua última primavera com Mão Erguida, Cara Amarela ensinou ao jovem, que ele devia aprender a respeitar a liberdade de pensamento de todos aqueles que iriam em busca de sua Sabedoria. Desta maneira as crianças aprendiam a valorizar a própria inteligência e sentiam que eram membros respeitados de sua tribo. O Cabelo Trançado considerava cada criança como uma pessoa igual a ele, e colocava-se ao nível dela.
Antes a partida de Cara Amarela para a Patagônia, Mão Erguida foi admitido no Conselho de Anciões na tenra idade de dezesseis primaveras. Ele a partir desse dia não precisava participar de batalhas, mas deveria observar tudo e recordar-se mais tarde, passo a passo, o desenrolar da luta. Sendo um xamã historiador, o Cabelo Trançado era convocado a contar os fatos passados com total precisão para que estes acontecimentos ajudassem a solucionar os presentes problemas. Ensinava a forma de viver de maneira equilibrada através das ações dos personagens das História de Sabedoria. Uma história contada de maneira adequada, podia acabar com as discussões, mudar o curso de uma vida, insuflar novo ânimo em épocas difíceis ou encorajar os jovens a assumir novas responsabilidades na vida.
Acabada sua admissão no Conselho de Anciões, Mão Erguida entrou no tipi de seus pais acompanhado de Cara Amarela, o velho Contador de História pediu para o jovem sentar e começou a trançar uma pequena mecha no novo Cabelo Trançado. Após alguns minutos, eles saíram do tipi e o povo pode ver que Mão Erguida trazia uma pequena mecha com tranças e nós, que lhes caía pelo meio da testa que tinha cunhada um pequeno cristal, que o caracterizava com professor e historiador da tribo. Despediram-se, e Cara Amarela seguiu seu destino em direção a Patagônia, enquanto Mão Erguida partia para contar história entre os povos das pradarias.
Passado muitas primaveras, Mão Erguida continuou visitando as tribos das pradarias. Todos os verões, ele partilhava o seu conhecimento com os filhos dos Oglalas reunidos para o Pow-Wow antes da Dança do Sol. Numa manhã de verão, Mão Erguida chegou para o Pow-Wow cavalgando seu cavalo malhado. Ao verem Mão Erguida se aproximar com seu garboso companheiro, as crianças correram até os limites do acampamento. Mão Erguida tinha duas penas de águias amarrada em seu cacho de escalpo, e a mecha de Cabelo Trançado lhe caia pela testa.
- Cabelo Trançado chegou! - gritavam as crianças enquanto corriam para saudá-lo. Com os olhos cheios de admiração, as crianças observavam Mão Erguida entrar no acampamento. Ele continuava montado em seu cavalo, ereto e orgulhoso, olhando sempre em frente, com seus olhos muito negros fixados no centro do acampamento. Agora, Mão Erguida era o mais velho Cabelo Trançado da Nação Sioux. Nínguém sabia quantas primaveras ele carregava nas costas. Até o chefe que chegou para saudá-lo, lembrava-se que Mão Erguida já era um Ancião na época em que ele ainda era uma criança.
Mão Erguida desmontou bem no centro do acampamento e foi saudado com muito respeito e calorosos How Kolas. Convocou-se o Conselho de Chefes e Mão Erguida foi fumar o Cachimbo, foi trazida a comida e começou-se a partilhar as últimas novidades entre os membros da Tenda de Cura.
Quando a noite caiu, e a última luz enviada pelos raios do Avô Sol tocaram a grama que cobria os prados, começou a celebração. A volta de Mão Erguida a este grupo de Oglala era um motivo de muita alegria. As expectativas eram enormes e todos os olhos se voltaram para o Cabelo Trançado quando ele começou a partilhar as notícias de nascimentos e mortes, os golpes que foram contados, e das decisões dos diversos Conselhos de outras regiões, tomadas durante o último inverno. Após terminar o relatório, Mão Erguida contou uma de suas Histórias de Sabedoria.
Este foi o último verão que Mão Erguida passou entre os povos das pradarias. Nunca mais ele foi visto, apesar de alguns caçadores jurarem que viram o Cabelo Trançado no alto de uma montanha rodeado de animais com a mão aberta levantada e falando:
- How Kola!


lenda Sioux contada pelos xamãs do Clã Lobos do Cerrado

quarta-feira, 3 de março de 2010

SAUDADE

Sabe qual é o piortipo de dor?
É aquela que dói fundo, de  forma tão intensa,
que a gente chora sem sentir. E ela não passa nem mesmo por um segundo.
Dói o tempo todo. Muito, muito mesmo...
E você vai se acostumando com a dor, porque dói o tempo todo.
E o tempo vai passando, a dor sempre alí, até que você se acostuma...
Você sentiu a dor por tanto tempo, que de repente nem dói mais...
Mas bem agora, que você se acostumou com ela, logo agora que não dói,
ELA VAI EMBORA!
E você sente falta da dor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

POVO KAIOWÁ


Olá, meus queridos!

O assunto de hoje não é feliz. O engraçado é que hoje eu escolhi falar da minha descendência, o povo Kaiowá, ou como nós mesmos nos entitulamos, Paí-Tavyretã, do tronco Guaraní. Os Pai-Tavyterã podem ser identificados com os antigos itatins, dos quais se tem notícia desde os tempos da primeira entrada dos europeus no Paraguai. Do tempo em que eram conhecidos como caaguá da selva ficou a denominação de kaiowá, ainda usada no Brasil. Sua autodenominação, no entanto, é a de paí-tavyterã, com clara alusão ao seu modo de ser religioso: paí seria o título com que os deuses e habitantes do paraíso saúdam e se dirigem a palavra, e tavyterã: os futuros habitantes do povoado do centro da Terra.
Suas aldeias distribuem-se, hoje, entre a porção leste setentrional do Paraguai, norte da Argentina, sul da Bolívia e parte do Mato Grosso do Sul.
Dizem que o primeiro homem foi Papa-Gui (o rei da natureza, criador da água e de tudo da Terra). Em seguida desceu dos céus Nhandeara (rei dos Deuses) há mais de dois mil anos. Ele deixou as regras e religiões que são seguidas até hoje como o uso do tembetá e a reza com mbarakás.
Os Kaiowás não tiveram contato significativo com os colonos europeus e seus descendentes até fins de 1800. No século XX, no entanto, com a chegada das frentes de colonização euro-descendentes aos seus territórios, os caiouás foram expulsos por latifundiários e empresas mineradoras, sem qualquer reação significativa por parte da FUNAI, que supostamente deveria prezar pelo bem estar dos povos indígenas no Brasil. Fora de suas terras, os caiouás são forçados a buscar trabalho, por vezes junto aos mesmos latifundiários que roubaram suas terras, recebendo geralmente pagamentos reduzidos com os quais buscam garantir sua existência.
Nas últimas décadas, centenas de kaiowás, tanto adultos quanto crianças, perderam suas vidas na defesa de suas terras. Estas são consideras essenciais por eles para a sua sobrevivência.
Unidos pela revolta e indignação em relação à lentidão no processo de demarcação de suas terras tradicionais (tekohá), cerca de 300 Guaranis Kaiowás estiveram reunidos, nos últimos dias 15 e 16 do mês passado, no Mato Grosso do Sul, para discutirem a retomada de seus territórios. O encontro, que ocorreu na Terra Indígena Yvy Katú, localizada no município de Japorã/MS, marca a realização da IX Aty Guasu (“Grande Reunião” em idioma guarani).
Nas palavras proferidas pelo cacique de Laranjeira Nhanderu, Farid de Lima, durante a realização do evento, estão expressas toda a indignação que reuniu o povo Guarani e Kaiowá em mais uma edição do “grande encontro”. “Nós vamos arrebentar a cerca e vamos entrar nas nossas terras de novo. E lá nos vamos ser enterrados, junto com os nossos antepassados. A minha comunidade já ta cansada de esperar a demarcação, que nunca é finalizada. Nós somos índios, nós somos o Brasil, somos sementes de Mato Grosso do Sul. Nós não vamos sair daqui, nós somos daqui. Quem invadiu nossas terras foram os brancos. Eles é que tem que sair”.
O evento representa a história da luta do povo Guarani e Kaiowá pela valorização de seus direitos. Além de reunir diversas lideranças indígenas, dentre elas o vereador do município de Paranhos/MS, Otoniel Guarani (PT-MS), o encontro também contou com a presença de representantes da FUNAI regional e nacional, membros de organizações indigenistas e autoridades como a Senadora Marina Silva (PV-AC), o Procurador da República em Dourados/MS Marco Antônio Delfino de Almeida e o Deputado Federal Antônio Carlos Biffi (PT-MS).
Esta a Aty Guasu teve como objetivo central discutir a demarcação do território Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul e pressionar os órgãos competentes a acelerem o processo, que vem se arrastando há quase 4 anos. O povo Guarani e Kaiowá representa a segunda maior população do estado, estando presente também em outras regiões brasileiras. Somam, ao todo, um contingente de, aproximadamente, 60 mil indígenas.

A luta
A situação em que atualmente se encontra o povo Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul é tensa e bastante precária. Tendo suas terras sido usurpadas por latifundiários e políticos locais, os grupos foram renegados ao confinamento em um território reduzido (cerca de 127 ha), no qual eram constantemente vítimas de agressões por parte pistoleiros a mando dos grandes fazendeiros.
A crescente violência somada à falta de condições dignas de sobrevivência (como a falta de alimentos e moradia) levou o povo Guarani Kaiowá a saírem em busca da recuperação de seus tekoha. Uma das ações para retomada da terra Krusu Amba, realizada em 2007, foi violentamente reprimida pelos fazendeiros. A tentativa terminou não apenas com a expulsão dos indígenas das áreas ocupadas como também ocasionou a morte da rezadora Zurite Lopes.
Além disso, quatro lideranças foram perseguidas e presas, tendo que cumprir, por dois anos, pena por crimes não cometidos. Após esse episódio, outra ação de retomada foi realizada pela mesma comunidade, o que levaou a nova expulsão pelos fazendeiros. O ato reacendeu a onda de repressão e violência contra o povo Guarani, culminando no assassinato brutal da liderança Ortiz Lopes.
“Nós, o povo Guarani Kaiowá estamos sofrendo há muitos anos pela falta de nossas terras. Enquanto esperamos a demarcação, que nunca é resolvida, nossas crianças estão morrendo de desnutrição e nossas lideranças, sendo assassinadas pelos fazendeiros e seus pistoleiros. A gente não agüenta mais esperar”, desabafa Eliseu Lopes, liderança da aldeia de Kurusu Amba, localizada no município de Amambai. Eliseu, que também é coordenado regional da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC), vem recebendo constantes ameaças a mando de latifundiários locais.
Sem direito de acesso aos seus tekoha (terras tradicionais), parte do povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, em especial as famílias da área de Kurusu Ambá, tem vivido, desde 2007, acampado às margens da rodovia MS-289, em Coronel Sapucaia, onde enfrentam muitas dificuldades. Além disso, as lideranças locais tem sofrido constates perseguições e ameaças por parte dos fazendeiros e da policia da região, o que já levou a diversos assassinatos, sem que haja, no entanto, qualquer punição dos culpados por parte da justiça.

O processo
A demarcação do território Guarani Kaiowás do Mato Grosso do Sul vem caminhando a passos lentos. Os indígenas aguardam a conclusão dos relatórios de identificação das terras, cujos prazos de execução tem sido constantemente adiados em função das recorrentes investidas dos fazendeiros.
O advogado da Diretoria de Assuntos Fundiários da FUNAI de Brasília, Aluísio Azanha, que esteve no evento representando o órgão, falou sobre as dificuldades e limitações enfrentadas no Mato Grosso do Sul. “Desde 2008 a FUNAI tem enfrentado uma pressão e resistência política e judicial. O governo do estado do Mato Grosso do Sul se posiciona muito franca e publicamente contra a demarcação, inclusive colocando recursos à disposição dos fazendeiros para elaborarem seus contra-laudos, conseguindo tumultuar, a todo o momento, o trabalho de regularização fundiária nesta região”, argumenta.
Para que o processo prossiga é necessário, no entanto, que os antropólogos da FUNAI ingressem nas fazendas para terminar os estudos identificação das terras. A realização dessa etapa esbarra na forte resistência dos latifundiários, que não poupam ameaças aos profissionais responsáveis pela finalização dos relatórios técnicos.
Para o procurador Marco Antônio Delfino de Almeida essa resistência dos fazendeiros encontra justificativas em possíveis irregularidades nos títulos das propriedades. “É bem provável que parte dos documentos de posse dos imóveis rurais sejam falsos. Por isso, muitos fazendeiros não aceitam nem a indenização pela terra nem os estudos antropológicos nessas áreas, pois temem que quanto mais mexermos nessa questão, mais falhas iremos encontrar”, comenta.
Durante a Aty Guasu os indígenas deixaram registrada a sua impaciência com a situação, exigindo a urgência na solução do problema em questão. Caso o processo não avance, o povo Guarani e Kaiowá empreenderá mais uma ação em massa de retomada de suas terras. Trinta dias foi o prazo deixado para que o Governo Federal regularize o processo de demarcação dos tekoha.

O apoio
As autoridades que se fizeram presentes no encontro registraram seu apoio e solidariedade à luta do povo Guarani Kaiowá, afirmando o compromisso em levar adiante a situação e as reivindicações apresentadas durante a Aty Guasu.
A senadora Marina Silva reafirmou seu compromisso em levar adiante as reivindicações apresentadas pelos indígenas às autoridades de Brasília e a inseri-la nas pautas da tribuna do Senado. “Estou aqui como aliada da causa em qualquer que seja a circunstância em que esteja. Não podemos nos esconder atrás do medo. E em nome da coragem que nos leve a justiça é que nós temos que buscar junto ao Governo Federal, junto a FUNAI, junto ao Congresso Nacional os meios para fortalecer os meios para que as pessoas possam fazer o seu trabalho e dar conta da justiça que vocês esperam”, pondera.
O deputado Antônio Carlos Biffi também se fez presente para confirmar o seu compromisso com a luta do povo Guarani e Kaiowá. “A gente tem sofrido muitas pressões em função da demarcação das terras indígenas. Estamos atuando em defesa das comunidades indígenas e temos sofrido uma pressão muito grande por parte do governo e dos proprietários rurais para que efetivamente não saia nenhuma demarcação. Cabe a nós buscarmos o apoio político para que possamos ver assegurados avanços na nossa política de definição de terras”, afirmou.
Todas as autoridades presentes assinaram o relatório elaborado pelos indígenas assegurando o compromisso com a luta em questão. Uma cópia do documento, que contém as principais reivindicações feitas pelo povo Guarani Kaiowá, foi entregue a cada uma desses líderes políticos para que possam levar a discussão adiante, contribuindo para acelerar o processo de demarcação das terras indígenas na região, assim como outras no estado, que se encontram em situação semelhante.
A saga do Povo Guarani Kaiowá é uma das mais dramáticas do país. Eles são o retrato, com todas as cores muito acentuadas, do pleno e radical descaso do Estado brasileiro com as nações indígenas. A tragédia imposta ao povo Guarani Kaiowá reproduz a submissão do Estado aos interesses econômicos e espúrios de uma pseuda elite, que ignorara os mais elementares direitos humanos. A situação desse povo traduz o desprezo do Estado brasileiro com os menos favorecidos. Representa, sem tergiversar, uma política indígena que privilegia o genocídio de um povo, cujos valores se perdem diante da falta de valor dos mandatários. É lamentável que esse povo chegue à primeira década do século 21 sem o reconhecimento dos seus direitos. É lamentável que o Estado democrático de direito (???) premie os invasores em detrimento do direito à vida. Recordo-me de Marçal Tupã-in, executado a mando do latifúndio dentro de sua casa, meses depois de expor a papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, o drama enfrentado por seu povo. As autoridades, à época, prometeram solução. Palavras ao vento, para fazer bonito diante de sua santidade.
Existe um movimento, de resistência, que embora não faça muito, nos dá forças. Você pode fazer parte do Movimento de Resistência Kaiowá. Não precisa muito, apenas cole o cartaz da resistencia em seu site, orkut, twitter, blog ou qualquer outro meio de comunicação. Agradeço pessoalmente.

O Xamã.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O ESPIRITO ANIMAL DE CADA UM (Xamanismo)


Olá, pequenos curumins de todo dia!



Vamos falar um pouco mais sobre o caminho indígena. agora que já conhecemos o que é xamanismo, o que a figura do xamã representa e algumas de suas capacidades, podemos falar um pouco sobre um dos temas mais discutidos nas entrelinhas do ocultismo. o animal de poder.

Desde as religiões antigas existem registros de rituais do homem e do animal em todos os hemisférios. Na Índia, a Ganesh, divindade em forma humana com cabeça de elefante; no Egito, Thot, forma humana com cabeça de falcão; na mitologia grega, entre os fenícios, maias, astecas, incas, índios norte-americanos, na Sibéria, nos cultos africanos, entre os aborígines australianos, esquimós, índios brasileiros, no taoísmo. Nos contos Jakata conta-se que Buda em seu “Grande Despertar“ lembrou-se de encarnações animais.
O peixe e a ovelha no cristianismo. Jesus, um dia, disse aos seus discípulos : “Eis que vos enviou como ovelhas no meio de lobos, portanto, sedes espertos como as serpentes e simples como as pombas“ Mateus, 10:16.
Na astrologia ocidental e chinesa os símbolos astrológicos são animais. A simbologia animal também está presente em todas as linhas de ocultismo, na alquimia, nas cartas de tarô, nas runas, no I Ching etc.


No xamanismo passamos pela descoberta do animal guardião que está presente em  cada um de nós. Seja chamado de animal de poder, espírito protetor, nagual, aliado totem, animal guardião. É o nosso alter ego, nosso duplo. Eis aí um primeiro motivo de dúvida. A verdade é que o espírito animal, ou animal totem não é algo externo, mas sim aquilo que existe de mais profundo dentro de nós, e que podemos trazer para fora.Quando compartilhamos de nossa consciência animal, podemos transcender o tempo e o espaço, e as leis de causa e efeito. Os animais de poder são manifestações dos poderes arquétipos ocultos, que estão por trás das transformações humanas. Torna as pessoas com um corpo vigoroso, aumenta a resistência a doenças, a acuidade mental, e a autoconfiança. Eles auxiliam no diagnóstico de doenças, na realização de objetivos desafiadores, para aumentar a disposição, auxiliam no autoconhecimento.
Através de uma maior compreensão da energia animal e da pratica de rituais e meditações, expande-se o seu poder pessoal. Esse relacionamento poderá lhe trazer um vigor extra, ajudará a ter idéias mais criativas, a melhorar seu relacionamento com as pessoas e com o Universo, aumenta sua intuição, melhora seu poder de tomar decisões, maior disposição para enfrentar os desafios da vida e proteção contra perigos.
Os xamãs têm ao menos um animal de poder, porém, dificilmente alguém terá só um, ou até mesmo um número pré-estabelecido de animais. Ele age como espírito guardião e como intermediário para acessar outras realidades. Nas viagens xamânicas ele assume os talentos de seu animal e vê de maneira diferente. Cada animal traz seus talentos, ou uma essência espiritual, e através disso, cada um transmitem-nos a sua sabedoria.
Os totens nos completam. abaixo segue uma lista de alguns, quem sabe o seu esteja entre eles:

Ganso
Deve cultivar: Sociabilidade, expressão emocional.
Deve evitar: Dúvidas e pessimismo.
 Lontra
Deve cultivar: A criatividade, a tolerância e a coragem.
Deve evitar: A excentricidade e a rebeldia.

 Lobo
 O lobo é o Animal do primeiro clã xamânico, o clã da verdade.  se você tem um lobo como totem, não minta jamais, ou o seu totem irá revelar tudo no momento oportuno.
Deve cultivar: Intuição, criatividade e compreensão.

 Falcão
 Deve cultivar: Paciência, persistência, compaixão.
Deve evitar: Vaidade, orgulho e intolerância

 Castor
 Deve cultivar: Adaptabilidade e compaixão.
Deve evitar: Possessividade, inflexibilidade.

 Urso Pardo
o urso é o representante do segundo clã, o clã da força. Ter esse totem representa  estar acima de tudo o que te traga dor.
Deve cultivar: Otimismo e tolerância
Deve evitar: Ceticismo e crítica excessiva

Coruja 
Deve cultivar: Concentração, otimismo e entusiasmo vital
Deve evitar: Auto-indulgência e exagero

 Águia
O animal do terceiro clã, o clã da visão. ninguém te engana, porque você vê o que está além das aparências. 
Deve cultivar: percepção, paciência e amor fraterno
Deve evitar: possessividade e perfeccionismo



Há ainda uma outra possibilidade.
Os clãs xamânicos são representados por animais. Os quatro principais são o clã do lobo (verdade), do urso (força), da águia (visão) e o da tartaruga (sabedoria). existem ainda o clã do sapo (emoção) e o da borboleta (auto-transformação).
 Caso seu animal seja um desses, as chances de você ter algo a ver com o xamanismo é grande. Afinal, o xamã não se diz, mas é escolhido pelos espíritos.

Espero ter esclarecido algumas dúvidas. Mas também espero que elas ainda existam, tamanha a complexidade do tema.

É isso! Ahow!!