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segunda-feira, 12 de abril de 2010

RETRATO EM PRETO E PRETO

Olá, povão!!

Vamos filosofar um pouco sobre ser preto! Sim, preto, porque moreno é o caralho,  e afrodescendente é a puta que o pariu! Vocês não acham interessante como esses termos mais "suaves" soam tão preconceituosos quanto outros usados por aí? Sei lá, pode ser só impressão minha.

Certa feita Bob Marley enfatizou: 'Um povo sem memória é como uma árvore sem raízes'. A Perda da Memória, talvez este seja o maior crime cometido pelo racismo contra nosso povo. O não saber sobre quem somos de onde realmente viemos e o que deixamos de obter por herança, faz de nós um povo totalmente apascentado pelas ideologias de um sistema segregacionista, que tem muito medo de nossa evolução.
Respeitar as diferenças é um dos princípios básicos da democracia. Cada povo, cada raça, cada cultura tem identidade própria, peculiaridades que resistem à globalização da economia e da comunicação. A construção de uma sociedade mais justa e feliz ocorre no cotidiano das pessoas com a prática de atitudes positivas em todas as relações humanas, sejam elas familiares profissionais ou comunitárias.
 Bom, chega de enrolação. Quem nunca ouviu falar em Nelson Mandela, Martin Luther King, Samuel L. Jackson, Pixinguinha, entre outras personalidades negras, praticamente não viveu neste planeta. Atualmente, o negro mais conhecido é Barack  Obama, e assim como ele, outros negros fizeram e fazem parte dos fatos históricos mais importantes da humanidade. Todo mundo cansou de ouvir falar em Zumbi, durante o ensino fundamental. É graças aos negros que temos hoje nas grandes culturas a capoeira, as tranças nagô, o rastafari, o jazz, o rock, o blues, o camdomblé, o grafitti, o funk (o de verdade, não o carioca), o soul, o hip-hop, entre outras manifestações culturais.

Na culinária, os negros trouxeram gosto por novos temperos e habilidade de improvisar receitas, misturando ingredientes europeus e indígenas. A escravidão deixou marcas indeléveis, em sua grande maioria negativas, na trajetória socioeconômica do Brasil. No que diz respeito ao legado cultural, porém, uma das heranças mais importantes da inserção dos negros na sociedade está na gastronomia. A influência africana na dieta do brasileiro possui dois aspectos. O primeiro diz respeito ao modo de preparar e temperar os alimentos. O segundo, à introdução de ingredientes na culinária brasileira.
A condição de escravo foi determinante para explicar como a técnica culinária dos africanos desenvolveu-se no Brasil. Tendo sido aprisionados na África e viajado em péssimas condições, os negros não traziam consigo nenhuma bagagem, muito menos ingredientes culinários. Isso reforçou a necessidade da improvisação para alimentarem-se no novo território, que, por sua vez, tinha uma estrutura ainda pouco eficaz. A própria elite tinha de importar vários gêneros.
Nos engenhos de açúcar, para onde foram levadas, as cozinhas eram entregues às negras, pois, no começo, os colonizadores vieram sem suas mulheres. Responsáveis pela alimentação dos senhores brancos e com a necessidade de suprir sua própria demanda, os negros passaram a adaptar seus hábitos culinários aos ingredientes da colônia. Na falta do inhame, usaram a mandioca; carentes das pimentas africanas usaram e abusaram do azeite-de-dendê, que já conheciam da África (as primeiras árvores vieram no começo do século 16). Adeptos da caça incorporaram à sua dieta os animais a que tinham acesso: tatus, lagartos, cutias, capivaras, preás e caranguejos, preparados nas senzalas.
A cozinha africana privilegia os assados em detrimento das frituras. O caldo é um item importante, proveniente do alimento assado ou simplesmente preparado com água e sal. É utilizado na mistura com a farinha obtida de diversos elementos. No Brasil, essa prática popularizou o pirão já conhecido pelos índios, mistura do caldo com farinha de mandioca e o angu (caldo com farinha de milho).
O modo africano de cozinhar e temperar incorporou elementos culinários e pratos típicos portugueses e indígenas, transformando as receitas originais e dando forma à cozinha brasileira. Da dieta portuguesa vieram, por exemplo, as galinhas e os ovos. Em princípio, eram dados apenas a negros doentes, pois se acreditava que fossem alimentos revigorantes. Aos poucos, a galinha passou a ser incluída nas receitas afro-brasileiras que nasciam, como o vatapá e o xinxim, e que resistem até hoje, principalmente nos cardápios regionais.
Da dieta indígena, a culinária afro-brasileira incorporou, além da essencial mandioca, frutas e ervas. O prato afro-indígena brasileiro mais famoso é o caruru. Originalmente feito apenas de ervas socadas ao pilão, com o tempo ganhou outros ingredientes, como peixe e legumes cozidos. O acarajé, hit da cozinha afro-brasileira, mistura feijão-fradinho, azeite-de-dendê, sal, cebola, camarões e pimenta. A popular pamonha de milho, por sua vez, origina-se de um prato africano, o acaçá.
A vinda dos africanos não significou somente a inclusão de formas de preparo e ingredientes na dieta colonial. Representou também a transformação da sua própria culinária. Muitos pratos afro-brasileiros habitam até hoje o continente africano, assim como vários pratos africanos reinventados com o uso de ingredientes do Brasil, como a mandioca, também fizeram o caminho de volta.
No que se refere aos ingredientes africanos que vieram para o Brasil durante a colonização, trazidos pelos traficantes de escravos e comerciantes, esses constituem hoje importantes elementos da cultura brasileira. Seu consumo é popular e sua imagem constitui parcela importante dos ícones do imaginário do país. Vieram da África, entre outros, o coco, a banana, o café, a pimenta malagueta e o azeite-de-dendê. Sobre este, dizia Camara Cascudo: “O azeite-de-dendê acompanhou o negro como o arroz ao asiático e o doce ao árabe”. No Nordeste, são também populares o inhame, o quiabo, o gengibre, o amendoim, a melancia e o jiló. 

Bom, vamos à receita de hoje:
MOQUECA ESORREGA MALANDRO

A verdade é que eu misturei os ingredientes da sopa escorrega malandro com um tucunaré, e deu isso....

pegue o  tucunaré, e tempere com azeite de dendê, limão, salsinha, cebolinha, coentro em folhas e molho de pimenta dedo-de-moça (se aguentar, pode ser malagueta). Corte em pedaços e separe. Em uma panela grande coloque agua, alguns quiabos picados, inhame picado, leite de coco, coco ralado sem açúcar (obviamente, não serve o de pacote, porque vem adoçado), azeite de oliva, cebola, alho, tudo a gosto. quando o molho estiver fervendo, coloque o peixe temperado, e salgue até estar do seu agrado. É importante sentir o gosto do leite de coco, do dendê e da pimenta, então deve-se continuar temperando até dar sabor.

O prato dá um peixe quase derretendo, com um caldo denso que pode ser feito moqueca, apenas adicioando farinha de mandioca em uma travessa separada.
bom apetite!