quarta-feira, 27 de abril de 2011

RITUAIS RÁPIDOS PARA HARMONIZAÇÃO COM OS ELEMENTOS


Ahow!!
Então, não é porque eu to enforcado na faculdade que eu vou deixarde postar, né.. alguém vai ler isso aqui, alguém precisa ler...
Eu estava lendo umas coisinhas, e achei um trecho de um livro que tem dicas muito úteis aos pagãos do proletário, que não tem tempo de fazer certas conexões mais longas. O livro chama-se "Bruxaria Natural - Uma escola de magia" da Tânia Gori. Estou colocando aqui, algumas dicas de rituais curtos que podem ser feitos para se conectar ao seu elemento, e aos seus elementais.
Boa mandinga (é nada.... rs..) !
 
Elemento Terra: 
Protegido por: Gnomos, duendes e Faunos.
Os cristais e as plantas são a representação do elemento Terra.
 

Rituais rápidos de harmonização:
 

  • Ficar de pés descalços, pisando na terra de preferência no final da tarde.
  • Caminhar ao ar livre com os pés no chão.
  • Preparar a própria comida
  • Fazer massagens
  • Comer
  • Trabalhar com argila
  • Fazer banho de Terra- deitar e rolar (dá para se sentir criança nessa hora.. rs)
A estação do ano correspondente a terra é o Inverno e a época da nossa vida a velhice.
A forma de ver o mundo desse elemento é pelos sentidos.
 

Elemento Fogo
 

Protegido pelas Salamandras
Elemento da coragem e do vigor, ajuda a reconhecer as leis de causa e efeito, fortalecem relacionamentos sexuais além de nos mostrar o que precisa ser destruído.

Rituais rápidos



  • Acender uma vela nas primeiras luzes do Sol
  • Dançar em volta de uma fogueira
  • Correr
  • Rasgar papel
  • Fazer banho de óleo
  • Criar.
A estação do ano correspondente é o Verão e a época da nossa vida é a juventude.
Forma de ver o mundo é pela intuição e impulso.
 

Elemento Agua

Seus elementais são as Ondinas e Sereias

Cuidam do equilíbrio de nossas emoções, da nossa intuição e sensibilidade 

Ensinam a curar, ajudam a vencer nosso medo e despertam nosso romantismo.
 

Rituais rápidos de harmonização
 


  • Ficar de pés descalços, pisando em uma vasilha com agua fresca e cristalina 
  • Cantar no chuveiro.
  • Brincar na chuva ou mesmo com agua de mangueira
  • Mergulhar, nadar, olhar o rio; o mar ou cachoeira.
  • Pedir desculpas
  • Contar historia
  • Demonstrar afeto.

 
A estação correspondente é o Outono e representa a nossa maturidade
A forma de ver o mundo é pelos sentimentos.


Elemento Ar


Silfos

Cuidam do equilíbrio de nossos pensamentos, atuam na resolução de um negocio ou situação preocupante, despertam a sabedoria, realçam a nossa oratória.
Estimulam a telepatia e a clariaudiência
Aumentam a força de vontade.

Rituais rápidos:
 


  • Acender um incenso 
  • Caminhar de pés descalços nas primeiras horas da manhã, primeiras luzes do Sol
  • Sentir a brisa acariciando seu rosto.
  • Silenciar-se
  • Cantar (já que o ar é o elemento da Musica, o som da natureza)
  • Exercícios de consciência respiratória.
  • Dar aulas, 
  • Ler.
  • Soltar pipa.

 
A estação do ano correspondente é a Primavera e está relacionada com a infância
A forma de ver o mundo é pelo pensamento, pela razão.



Espero que seja útil. 
Aloha!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

EXPLICANDO O XAMANISMO URBANO


*Trechos do Artigo de Cyro Leãoo publicado na Revista Diálogo - revista de ensino religioso.
O xamanismo é a mais antiga forma da conexão do homem com o Sagrado. Nos primórdios da humanidade, o homem descobriu que tinha o poder de “despertar” do estado de inconsciência, tal qual vive um bebe recém-nascido. Detinham o poder de sair do corpo e entrar no mundo da alma. Entravam em contato com o Arquétipo do Divino: a Deusa, o Deus e a Tudo que é. E a partir deste momento começa o despertar da consciência no homem. Passaram a ter livre acesso a Deusa e a receber os conhecimentos necessários para seu povo. Surge assim o xamã mítico que passou a ser o primeiro curador na sua comunidade.
Na medida que as doenças apareciam, com a intervenção da Grande Deusa, ele recebia o conhecimento da cura. Surge o culto a Grande Deusa, a Mãe Terra, a provedora. Os rituais sagrados se iniciam e são celebrados pelo xamã, o primeiro religioso. É uma era em que o homem arcaico acreditava que a Lua era detentora do poder da vida e da morte, e que o sangue menstrual era o responsável pela gravidez e quando se esvaia, era o detentor da morte. Com o passar do tempo passaram a fazer sacrifícios de sangue para fertilizar a terra. Era a época do Matriarcado.
Milênios se passam. A era das Deusas se vai e chega o Patriarcado. Segundo a Lenda Siberiana, houve um caos total na terra e o ser supremo envia a Águia para colocar um pouco de ordem, A Águia por ser um pássaro, não é compreendida pelos homens. A Águia (símbolo da consciência) encontra uma mulher (identificada à liberdade) sob a copa de uma árvore, copula com ela e daí nasce o primeiro xamã.
A palavra xamã deriva do dialeto tungue - saman, do sânscrito - sramana e do pali - samana, significa “o homem inspirado pelos espíritos”.
Apesar do xamanismo ter sido um acontecimento do re-ligare junto ao Arquétipo do Divino, não é uma religião e sim uma filosofia de vida, que ressurge neste século. Vejamos como isso se manifesta:
Mircea Eliade, em sua obra “o Xamanismo e as técnicas Arcaicas de Êxtase”, evidenciou a perspectiva dos xamãs. Neste livro ele descreve ritos na Sibéria, América do Norte, América do Sul, Indonésia, Oceania, etc. De acordo com Mircea Eliade, os xamãs são eleitos e por isso tem acesso a uma região do sagrado, inacessível a outros membros da comunidade, e de algum modo cuida da alma desta. O Xamã e o grande especialista da alma humana. Só ele a vê, pois conhece sua forma e seu destino.
Xamãs Urbanos
Em 1960, inicia-se o movimento do retorno ao xamanismo, quando figuras como Carlos Castanheda e Michael Harner, ambos antropólogos, publicam as primeiras manifestações cientificas sobre o fenômeno. Michael Harner, é iniciado como xamã nos Andes Equatorianos por uma xamã jivaro. A partir deste momento ele começa sua caminhada de trazer ao mundo moderno os conhecimentos antigos e há tanto tempo arquivados em nossa memória. 
Passa a difundir seu trabalho nas universidades americanas, principalmente na Universidade de Columbia. Através de uma fita cassete, ele leva o som do tambor a seus alunos, que entram em estado alterado de consciência xamânica. É o despertar dos neo-xamãs, também chamados xamãs urbanos que praticam os conhecimentos nativos na selva de pedra.
E foi num ritual junto ao fogo, minha iniciação com Carminha Levy, que por sua vez foi iniciada por Michael Harner, reencontrei as minhas raízes, como num sonho mágico. Foi o filho pródigo voltando à casa paterna.
Temos algumas celebrações importantes:
Rituais da Lua Cheia, (reverência ao feminino e à intuição) e Rituais da Lua Nova, (alguns grupos fazem apenas com homens).
Os Ritos de Passagem são muito importantes nas tradições antigas e são ainda preservados entre os índios. Dos 13 aos 14 anos o menino deixa de ser criança e vira homem num ritual para o novo guerreiro e a menina vira mulher quando recebe seu primeiro sangue (a primeira menstruação).
A mudança das estações marca o término de um ciclo e o início de outro.
É a morte de uma estação e o renascimento de outra. O Equinócio da Primavera (23 de setembro) e o de Outono (21 de março) são regidos pelo sol e neste período, as horas do dia são iguais às horas da noite. No Solstício de Inverno (21 de junho) temos a noite mais longa do ano e no Solstício de Verão o dia mais longo do ano.
Durante o meu caminho de buscador, ao ter contato com o xamanismo, algumas indagações brotaram em mim por ter sido criado na doutrina católica. Após um tempo percebi que o fato de ser católico não conflita com os conhecimentos xamânicos, pois a forma mais ampla desta filosofia é a prática do caminho do coração, a mesma preconizada por Jesus Cristo.
A conduta ética dos neo-xamãs ou xamãs urbanos é dada por 5 leis fundamentais de valores morais que seguem a ética do coração – o caminho do xamã nativo.
1ª Lei – O xamã pratica a Impecabilidade do guerreiro – (A Ética do Coração)
2ª Lei – O xamã pratica a Entrega (Confia num Ser Supremo que proverá suas necessidades)
3ª Lei - O xamã alcança o máximo de eficiência com o mínimo de esforço. (Está focado no que faz e pratica a disciplina do guerreiro)
4ª Lei - O xamã pratica o Desapego. (Está presente no aqui-agora deixando ir o passado e não se projetando ou vivendo no futuro).
5ª Lei - O xamã sai da causa e efeito e passa a viver a sincronicidade.
Com isso tudo, podemos ver que a filosofia é simples, mas depende de cada um querer seguir o seu caminho. Um deles é o do coração e é maravilhoso perceber, que todos nós temos esse herói interno que está a serviço da cura e da religiosidade (do re-ligare) e que pode ser acessado a qualquer tempo.
Axé na luz


sexta-feira, 4 de março de 2011

PEQUENA LENDA SOBRE A VERDADE

Um dia, a Verdade andava visitando os homens sem roupas e sem adornos, tão
nua como o seu nome.E todos que a viam viravam-lhe as costas de vergonha
ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.
Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.
- Verdade, por que estás tão abatida? - perguntou a Parábola.
- Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!
- Que disparate! - riu a Parábola - não é por isso que os homens te evitam.
Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente,
por toda à parte onde passa era bem-vinda.
- Pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada.



 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A BUSCA PELA DIVINDADE HUMANA


Conta uma velha lenda hindu que outrora todos os homens eram deuses, mas abusaram de tal modo da sua natureza divina que Brahma, o Senhor dos deuses, decidiu retirar-lhes esse poder divino e escondê-lo em lugar onde lhes fosse impossível encontrá-lo. O problema, contudo, era encontrar esse esconderijo.
Brama convocou, pois, todos os deuses menores a fim de resolver este problema, e a sugestão que eles lhe deram foi enterrar a divindade do homem bem no fundo da terra. Mas Brahma respondeu-lhes que isso não seria suficiente pois o homem escavaria a terra e acabaria por reencontrar a sua natureza divina.
Então os deuses sugeriram que se atirasse para o fundo do mar a natureza divina do homem. E de novo, Brahma lhes respondeu que, mais tarde ou mais cedo, o homem exploraria as profundezas do mar e a recuperaria.
Os deuses menores já não sabiam que outros lugares poderiam existir, quer na terra quer no mar, onde o homem não conseguisse chegar um dia.
Então Brahma disse: "Vamos fazer o seguinte com a natureza divina do homem: vamos encondê-la bem no fundo de si mesmo, dentro do seu coração, pois será esse o único lugar onde o homem nunca a irá procurar."
E desde esse dia, segundo conta a lenda, o homem tem percorrido e explorado o mundo, subido às montanhas mais altas e descido às grandes profundezas da terra e do mar, sempre à procura do que está dentro de si próprio.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A GRANDE INVOCAÇÃO

Que as Forças da Luz tragam a iluminação ao gênero humano.
Que o Espírito da Paz se espalhe em todos os lugares.
Possam os homens de Boa Vontade, em todos os lugares,
Unir-se num espírito de cooperação.

Possa o perdão, por parte de todos os homens,
Ser a tônica destes tempos.
Que o poder ouça os esforços dos Grandes Seres.
Que assim seja, e ajudai-nos a fazer a nossa parte.

Que venham os Senhores da Libertação.
Que tragam socorro aos filhos dos homens.
Que venha o cavaleiro do local secreto.
E, ao chegar, que salve.
Vinde, ó Ser Supremo.

Que as almas dos homens despertem para a luz
E que possam permanecer concentradas no objetivo.
Que a ordem de Walkan Tanka se adiante; chegou o fim do infortúnio!
Vinde ó Ser Supremo.

Chegou a hora do serviço da Força da Salvação.
Que ela se alastre por todos os lugares, ó Ser Supremo.
Que a Luz, o Amor, o Poder e a Transformação
Preencham o propósito daquele que se aproxima.
A vontade de salvar está aqui.
O amor por levar o trabalho adiante está amplamente difundido.
A ajuda ativa de todos os que conhecem a Verdade, também está aqui.
Aproximai-vos ó Ser Supremo e harmonizai esses três.
Construí um grande muro de defesa.
O domínio do mal deve terminar agora.

Do ponto de luz na mente do Grande Espírito
Que flua a luz às mentes dos homens,
Que a luz desça à Mãe-Terra.

Do ponto de amor no coração do Grande Espírito
Que flua amor aos corações dos homens
Que o sentimento do amor retorne à Mãe-Terra.

Do centro onde a vontade do Grande Espírito é conhecida
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens,
O propósito que os Mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens
Que se cumpra o plano de amor e luz
E se feche a porta onde se encontra o mal.
Que a luz, o amor, e o poder restabeleçam o plano do Grande Espírito sobre a Mãe-Terra.

Do centro da Vontade e do Poder
Que o propósito do Rei
Seja o propósito de todos os homens.

Do centro da Sabedoria e do Amor
Que a obra dos Grandes
Seja o serviço entre todos os homens.

Do centro da Inteligência e da luz
Que o Verbo do Amor seja ouvido e atendido.
E que o Espírito de Cooperação una a todos os homens.

A Era da Redenção chegou!
Que o cavaleiro soerga a espada!
Que o plano do Grande Espírito se realize!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

EXPERIÊNCIA


Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés prá fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela
de arroz  carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.

Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar
pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e
alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida
é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência. Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência? Não!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
'Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?'



*Redação vencedora de um processo seletivo para emprego na Volkswagen.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A VIAGEM XAMÂNICA


Eu comecei a estudar a arte da pajelança com o meu avô, aos seis anos. Ele, um homem muito rígido na forma de ensinar, exigia de mim sabedoria e conhecimento, o que antecipou bastante meus estudos, e me deu um grande conhecimento muito cedo. Porem, eu não vivia na tribo. Minha mãe havia se casado com um negro, e se mudou pra cidade. Lá eu nasci. Lá comecei a estudar, vez ou outra passava pela tribo, levado pelo meu avô, o Payé Tukwura. Dez longos anos de estudo, até a minha iniciação. Porém Pa’i Kwara reservava algo para mim, uma surpresa na minha iniciação.
Um dos atos que marcavam a minha iniciação era o inicio de uma jornada xamânica, para qualquer lugar. Eu tinha dezesseis anos. Eu me lembro que orei muito para que a Mãe Terra me desse uma verdadeira viagem, que eu fosse direto para o centro da minha alma, e que pudesse aprender nela a ser um pajé de verdade. E meu pedido foi atendido.
Eu juntei vinte e cinco mil reais, e fui para o aeroporto, a fim de pegar o primeiro avião, sem destino certo. No guichê, a moça me dizia que havia um avião partindo para a Austrália. Entrei nele, sem medo. Muitas malas, utensílios xamânicos, dinheiro.  Tudo o que eu precisava em minhas mãos.
Uma viagem longa. Cansativa. Nove horas dentro de um avião e de repente, uma turbulência. O avião caiu. Em solo, numa ilha. Somente quatro pessoas sobreviveram.. eu, uma moça de seus vinte e três anos, um senhor de setenta e oito anos e uma velhinha de oitenta e três. Aos dezesseis anos, eu tinha nas mãos uma mulher insegura, dois velhos para cuidar, sem comida, sem abrigo, em um lugar com uma topografia que eu não conhecia, com uma vegetação e fauna que eu não conhecia, tendo somente o xamanismo como âncora e um lugar onde meus vinte e cinco mil reais não valiam nada.
A primeira medida a tomar era construir um abrigo. Enquanto Nuria, a jovem africana cuidava dos velhos, eu me encarreguei da fogueira e do abrigo. Andando pela mata, eu percebi uma coisa..havia muito tabaco selvagem, e muita maconha. Havia uma quantidade grande de búfalos, o que pressupunha um dono, mas com o tempo eu parei de procurar. Eu e Nuria nos revezávamos nos cuidados do Sr. Andréas Shaeffer, um advogado aposentado alemão, e dona Ivha, uma senhora indiana de oitenta e três anos.
Tive que aprender com eles o alemão e o hindu, até mesmo para poder cuidar dos dois. Com o tempo, acabamos adotando um dialeto próprio, uma mistura de português, guarani, hindu, alemão e crioulo. Aos dezessete, tínhamos uma casa forte, comida, porque haviam suprimentos no avião, que eu consegui plantar, havia fumo e maconha, que eu e Nuria aprendemos a processar, havia chá de cogumelo, fazíamos os rituais, seguíamos e cultuávamos as estações do ano, construí um totem, aprendi a caçar, pescar, fiz meu tambor com o oco de uma arvore de cem anos e o couro de um búfalo que eu cacei, prendi a observar os animais e ver eles me ensinarem sobre as ervas do local, quais serviam para cura, quais eram boas para comer, quais eram venenosas. Entendi a importância da chuva, aprendi a apreciar com é bom quando ela cai. Aprendi a amar Nuria, e ela aprendeu a me amar. Aprendi a respeitar o Sr. Andréas como meu pai. Ele me ensinou como um homem deve agir perante as leis. Aprendi a amar dona Ivha como minha mãe, minha anciã sábia, que me ensinou o respeito às divindades, as magias hindus, e acima de tudo, me ensinou a ser um sacerdote. Tinha uma vida calma, boa alimentação, estava no auge do meu poder xamânico, e então, comecei a aprender as duras lições da vida.
O primeiro a nos deixar foi o Sr. Andréas. Ele precisava tomar remédios, que se perderam no acidente. Ele suportou três anos sem os remédios. Eu chorei, como uma criança que perdeu o pai. Nossa vida nunca mais foi a mesma sem ele. Eu fiz então, o meu primeiro funeral. Uma dor imensa atingiu o nosso lar na mata. Um silêncio de cortar o coração. Onze meses depois foi a vez de a dona Ivha nos deixar. Ela já estava com oitenta e sete, coitada. Não suportou a vida dura da mata. Meu segundo funeral se seguiu de uma súbita alegria. Nuria estava grávida. Não sei explicar o que senti, ao descobrir que seria pai. Os ritos de revelação indicavam a vinda de uma menina.
Eu curti muito a gravidez dela, confesso que fui um pai babão. Usei o quarto dos idosos como o quarto da nossa menina, que se chamaria Akai. Aprendi a criar abelhas, e tinha mel a vontade. Consegui domar uma búfala, então eu também tinha leite. Havia gamos crocodilos, aves grandes, e tudo nos servia de comida, e fazia roupas e cobertores de suas peles, e enfeites e instrumentos mágicos com suas penas. Minha pequena aldeia voltava a bonança. Tínhamos três animais de estimação. Uma raposa, que Nuria apelidou de Mordack, um urso, que eu tentei espantas das abelhas, mas ele acabou ficando. Nós o chamávamos de Dandara. Um gorila, que começou a fuçar nosso lixo atrás de frutas e nós passamos a deixar uma bandeja de frutas para ele. Ele era o Darack. Nuria alimentava alguns beija-flores, mas havia um em especial, um azul, ele comia na mão dela, havia uma conexão muito forte com o danadinho. Akai crescia saudável, e foi quando um novo baque nos arremessou contra a parede. Nuria colhia flores, para os enfeites de beltane, quando foi mordida por um dragão de komodo. Eles não são venenosos, mas tem uma boca tão podre que ao morder um animal, ele morre em poucos minutos de infecção. Acho que este foi o maior choque de minha vida, encontrar minha tão amada esposa aos pedaços na mata. Agora, éramos somente eu e Akai. Virei mãe. Foi difícil me adaptar a organizar meu tempo para cuidar da plantação, cuidar de Akai, ensinar-lhe o português, o guarani, o crioulo, o alemão, o hindu, ler, escrever,  cuidar de sua educação ambiental e espiritual. Só então, eu me lembrei de um detalhe. No quinto aniversário de Akai, dez anos depois do acidente, eu me lembrei que eu tinha vinte e cinco mil reais, e que aquele lugar poderia ser habitado, de alguma forma. Pai céu jamais deixa seus filhos sozinhos..
Eu fiz um enorme suprimento de comida, peguei nossas roupas, celei dois búfalos e a búfala, coloquei nela os suprimentos e o dinheiro, um búfalo carregava Akai e suas coisas e o terceiro eu e minhas coisas, e demos adeus a nossa pequena cabana na mata. saímos sem rumo. Uma viagem xamânica dentro da minha viagem xamânica. Sai, e depois de dois meses de viagem, encontramos um pequeno vilarejo. Estávamos nas ilhas Fiji, e eu consegui encontrar uma pequena pista de pouso, de onde consegui pagar o frete de um avião até Sidney. Lá compramos roupas novas, abandonamos os búfalos e seguimos, para a argentina. Da argentina, voltamos a São Paulo, e de lá, de ônibus segui direto para a tribo. Eu saí de casa, na minha iniciação, aos dezesseis anos de idade, para aminha viagem xamânica. Voltei dez anos depois, com vinte e seis anos, para a minha tribo, pai, viúvo, um payé completo. Instrumentos mágicos com a minha energia, conectado com o divino. Com uma discípula. Desde quando saí, meu cocar me esperava, e então finalmente o coloquei. Muito prazer. Meu nome é ÑANDESY IDIA TUKWURA KAIOWÁ.